Programa 1

 
Dia: Quarta-feira, 11 de Julho de 2007
Locutores: Pedro Nobre & Rute Antunes
Convidado: João Paulo Anunciação
Músicas Passadas: Tuna Académica da Universidade de Évora - "Meu Alentejo", Silence 4 - "Angel Song", Trovante - "Memórias de um Beijo", The Beatles - "Let It Be", Rita Guerra - "Secretamente", Hands On Approach - "My Wonder Moon".



João Paulo Anunciação

"Boa noite caros ouvintes da RTA, seja via rádio sintonizado em 103.2 FM ou via internet em http://www.rta.com.pt. É com enorme prazer que continuamos a tê-los como nossa companhia." (...)


Assim se iníciou o programa n.º 1 e após as apresentações habituais foi destacado que a Rute Antunes esteve presente na grande gala, no estádio da Luz, na eleição das 7 maravilhas de Portugal e do Mundo. Onde houve troca de sensações sentidas seja no estádio ou via tv (pelo Pedro Nobre) e quais as opiniões sobre os eventos. Seguidamente para os menos atentos relembramos quais as eleitas:

Sete maravilhas de Portugal

- Castelo de Óbidos
- Castelos de Guimarães
- Mosteiro da Batalha
- Mosteiro de Alcobaça
- Mosteiro dos Jerónimos
- Palácio da Pena
- Torre de Belém

Sete maravilhas do Mundo

- Grande Muralha da China
- Taj Mahal (Índia)
- Cristo Redentor (Brasil)
- Petra (Jordânia)
- Cidade inca Machu Picchu (Perú)
- Coliseu de Roma (Itália)
- Pirâmide de Chichén Itzá, localizada na península de Yucatán, no México.

Nota: Segundo anunciou a organização do evento, as Maravilhas foram votadas por 100 milhões de pessoas, através da Internet, SMS e linhas de telefone acrescentado.

Após este apontamento iniciou a entrevista com o nosso convidado, o poeta João Paulo Anunciação, que nasceu, cresceu, formou-se (em direito) em Lisboa e por ironia do destino veio de armas e bagagens para o nosso lindo Alentejo, mais precisamente para a nossa cidade de Évora... Durante a entrevista as nossas ouvintes Luísa e Graça entraram em contacto connosco via telefone e declamaram mais. Como anunciamos no programa zero, a todos os ouvintes que pretenderem poderiam enviar os seus trabalhos através do nosso endereço de e-mail. Desafio lançado, e recebemos do Brasil da poetisa Saramar Mendes (que publica os seus no seu blog "Falares" - http://flanarfalares.blogspot.com/ - "Sou apenas uma mulher tentando escrever sobre sentimentos, emoções e algumas dores"). O Pedro Nobre leu um dos dois poemas enviados pela poetisa " Águas".



Entrevista de Pedro Nobre & Rute Antunes ao poeta João Paulo Anunciação:

Na Escuridão Da Noite: João Paulo da Anunciação, como iniciaste a escrever poesia?

João Paulo Anunciação: Bem, isso é uma iniciativa que temos em uma altura da vida espontaneamente, não me recordo da primeira vez que possa ter escrito o primeiro poema ou as primeiras palavras, mas recordo-me na minha juventude por volta dos 14 ou 15 anos escrevi umas coisas e sei que hoje em dia se olhasse para elas podiam-me não me dizer nada.
A poesia vejo-a como uma forma de nós expressarmos o gesto da mesma maneira que gestualizamos as mais variadas formas de expressão. Já lá vão muitos anos, mesmo muitos anos, eu sei que um dia comecei mas não tenho isso registado apenas porque nós devemos expressar-nos, escrever como outro tipo de forma de expressão sem que isso seja algo obrigatório, sistemático, diário…

NEDN: Os teus primeiros poemas foram escritos para namoradas?

João Paulo Anunciação: Bem, se a minha mulher me estiver a ouvir… evidentemente que ao princípio o amor acaba por ser o sentimento que nos faz tornar expressivos nas mais variadas formas de demonstrar a cada um, a cada qual aquilo que sentimos, foi sem dúvida nenhuma que foi o amor que me terá iniciado na minha expressão poética, pode-se dizer assim…

NEDN: Paulo, como já referenciaste começaste na adolescência a escrever… neste momento estás a exercer a actividade de advocacia, andas a esconder os poemas no meio do direito Penal?

João Paulo Anunciação: Risos, uma boa questão! Não me vou alongar, mas é muito curiosa essa pergunta. Certamente é a questão mais difícil para eu responder, eu levei o meu curso de direito a esconder-me e a esconder do meu pai, que muitas das noites que em vez de estudar pegava numa esferográfica e num papel e ali estava eu a escrever. Como também tínhamos noites de poesia em minha casa, para que o meu pai e a minha mãe não se apercebessem, nós por vezes recitávamos poemas e muitas das vezes de forma baixa e para que não fosse ouvido nem sala, nem nos quartos. Por último com a minha mulher, é curioso que ela por vezes diz-me assim – “oh João Paulo, vê lá se fazes aquilo, lá estás tu outra vez agarrado ao poemas…” – hoje em dia não os escondo de forma alguma, mas sem dúvida que é algo que por vezes me tira, não tempo mas tira-me a concentração que por vezes necessito para outras coisas nomeadamente na minha área profissional…

NEDN: Ou seja, era um pouco de um sub mundo, que tinhas dentro da tua casa?

João Paulo Anunciação: Não propriamente um sub mundo, em parte o meu pai é que iniciou na poesia, ele gostava imenso de poesia, não escrevia mas ouvia-o muitas vezes recitar poemas e eu sentado na mesa de cabeceira da cama dele e a minha mãe já a dormir e o meu pai num ou outro livro, nomeadamente Camões, e tantos outros poetas mais, Bocage, Fernando Pessoa que é um poeta que mais admiro não retirando o valor a muitos outros que tenho uma admiração tremenda, mas aquele que ao longo dos anos me marcou mais e ao qual me identifiquei com a sua poesia.


NEDN: E como é nos tribunais, também escreves alguma poesia sob os rascunhos que levas? Como é a tua interacção durante a tua vida profissional saltar o “bichinho” da poesia no meio de um trabalho durante o dia?

João Paulo Anunciação: Mais uma questão complicada de responder como a outra, hoje estou destinado a “bombearem-me” com perguntas das mais difíceis. Mas quanto a isso é curioso, quem faz área criminal conhece bem as situações dramáticas da vida por que passamos de defesa. Muitas vezes não são poucas, são mesmo muitos vezes há versos de poetas nossos, nomeadamente Fernando Pessoa, principalmente através da escrita do seu heterónimo Álvaro de Campos que por vezes me apetece vivamente dizer porque se encaixam aí precisamente naquela situação real e isso é uma coisa curiosa porque acho que deve acontecer para quem goste de poesia e depois por sua vez tem esta actividade e faça tribunal, acontece e irá sempre acontecer porque a poesia queiramos ou não fala da nossa alma, fala dos nossos problemas, fala dos nossos medos, das nossas amarguras, ao fim ao cabo fala no ser humano em si na sua amplitude e plenitude e a poesia acaba por dar um pequena resposta a certas situações que nós vemos ao longo dos tribunais e ás quais gostaríamos de ver resolvidas com mero excerto de poesia mas isso infelizmente ou felizmente não é possível…

NEDN: Ou seja, teu mundo é uma constante interacção entre o mundo do imaginário (poesia) e o mundo real?

João Paulo Anunciação: O Fernando Pessoa, dizer-vos-ia “é com imaginação que eu amo o bem”, não há um sub mundo, não há um mundo imaginário, há sim várias facetas de um mundo que nós vivemos e com o qual temos que saber actuar, saber estar eu vou voltar a recitar o Fernando Pessoa porque é um individuo que tem muitos versos que acabam quase por ser princípios, mandamentos para nós seguirmos e à um que sigo à muito tempo pela importância que eu acho que ele tem para mim no meu dia-a-dia quase como oração “põe quanto és, no mínimo que fazes” acho que assim for não precisamos de mais nada é simplesmente pores o que tu és no mínimo que podes fazer.


O poeta ainda nos patenteou com um poema seu que se intitula de "Na escuridão da noite".


Um bem-haja a todos sem excepção,
Pedro Nobre & Rute Antunes


 

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