Programa 9

 
Dia: Quarta-feira, 5 de Setembro de 2007
Locutores: Pedro Nobre & Rute Antunes
Convidado: João Ferreira
Músicas Passadas: Pedro Abrunhosa – Será; James – Tomorrow; Marta Dias – Gritar; All Saints – Pures Shores; André Sardet – Perto mais perto; Texas – Say what you want.


João Ferreira



Boa Noite, a todo o auditório da Rádio Telefonia do Alentejo, mais uma semana que passou cheia de trabalho para muitos ouvintes e um beijo especial para todos vós que nos estão a ouvir através da internet em www.rta.com.pt. Esta noite começamos com Pedro Abrunhosa com a música “Será” e seguiu-se o primeiro poema da noite que nos chegou através do nosso e-mail pelo Rui Borges e foi enviado da França, um beijo muito especial para os emigrantes que lá estão.

Hoje a noite é especial, as manhãs vieram até à noite… não percam mais adiante… certamente já sabem quem é… um convidado muito especial, mas quem for ao nosso blog irá descobrir quem é o nosso convidado www.escuridaonoite-rta.blogspot.com.

A música que se seguiu foi um recordar dos nossos tempos de juventude (os que são da nossa geração), inclusive do convidado, ficamos com James e “Tomorrow”…

Após este momento seguiu-se mais o poema “Elogio ao amor” escrito por Miguel Esteves Cardoso. Na nossa opinião foi um dos melhores poemas escritos sobre o amor…

Hoje a noite é de recordações, Marta Dias com a música “Gritar”…

Retomamos com mais um poema, este vindo do oriente directamente para o nosso e-mail, enviado pelo amigo António Cambeta que com o título “Recordando”. António Cambeta um eborense que aos 19 anos de idade saiu de Évora à busca de uma vida melhor, neste momento vive em Macau (são mais 7 horas que aqui) e é lá que nos está a ouvir neste momento. Quando fala do sr. Cambeta associa-se logo ao programa da manhã e aproveitamos para revelar quem é o nosso convidado desta noite ele é João Ferreira… sim ele está aqui para nos falar de poesia, não é só locutor, também é poeta e escreve poesia, mais à frente iremos saber tudo… e aproveitamos para enviar um abraço e muitos beijinhos para a família Multiskill… eles sabem quem são.

Passamos mais uma música, desta vez em inglês All Saints – “Pures Shores” …

Iniciamos a 2.ª parte com André Sardet e com o tema “Perto mais perto” e começamos por falar do nosso blog que semanalmente poderão ler o resumo da emissão tal como os poemas que foram lidos em directo… e que a Rádio Telefonia do Alentejo tem um grupo no Hi5 e que o ouvinte número 100 irá estar presente no estúdio e ler um poema por essa pessoa…

Seguiu-se a esperada entrevista com o nosso convidado, João Ferreira, que nos veio falar de poesia escrita pela sua caneta, pelo punho, não sabemos se é à noite ou de dia mas iremos sabê-lo certamente:

Na Escuridão Da Noite: Como começou, ou o que levou a iniciar-se neste mundo da poesia?

João Ferreira: Bem, antes de mais, há pouco disseram que iriam ter em estúdio o poeta João Ferreira e eu aproveito para corrigir não sou poeta (risos), eu até tenho um poema que fala precisamente nisso. Eu costumo dizer que sou mais um pensador… e os meus pensamentos transcrevo-os para o papel…

NEDN: Nós em parte não gostamos colocar o “rótulo” do poeta, mais no sentido de pensadores, momentos que saem do nosso interior e que transcrevemos para o papel...

João Ferreira: Os grandes poetas foram aqueles que nos deixaram grandes obras nomeadamente Luís de Camões, Fernando Pessoa, Miguel Torga, tantos outros que poderíamos falar, mas esses sim são os grandes poetas. Eu falo por mim, eu escrevo aquilo que me vai passando pela alma…
Bem dizia, como é que iniciei, começou por brincadeira lembro-me perfeitamente no 6.º ano de escolaridade, nas aulas os professores pedia-nos que escrevêssemos textos e eu escolhia sempre poesia para escrever, ou seja, comecei por escrever quadras por brincadeira.

NEDN: Não me digas que foi no dia das comadres e dos compadres?

João Ferreira: Por acaso já não sei, já não me lembro… (risos)

NEDN: Se calhar foi para alguma namorada, por norma é assim?

João Ferreira: (risos) Lembro-me perfeitamente que houve uma vez, umas quadras que escrevi e que o professor me tinha pedido para escrever, aliás eles davam textos à nossa escolha, eu fiz um texto que tinha a ver com férias não peçam para ler o texto não me lembro, sei que o texto dizia mais ou menos do género é pena não darem mais dias de férias… (risos) era deste género. As coisas começaram por brincadeira e fui aprofundando e tentando escrever mais e mais. Para ser sincero, não gosto muito escrever em quadra, melhor eu já não escrevo em quadra, geralmente as minhas estrofes são cinco a seis versos ou mais, alguns até chegam a ter dez versos, acho que fica mais elaborado e tento puxar mais por mim para que o texto fique melhor. Para quem lê sinta que o escreve tenta ser perfeito na forma como o faz. Acho a quadra muito simples, qualquer pessoa pode escrever uma quadra daí eu escrever com cinco a seis e até há um poema meu que 10 versos… e foi assim que comecei e vou mantendo a escrita mais ou menos em dia. Por acaso estive quatro meses sem escrever… mas acontece… (risos).

NEDN: Rádio, poesia, nós juntamos os dois, tu de certeza nesta mesa aqui por debaixo, acho que se voltarmos ao contrário deves ter alguns escritos secretos…?

João Ferreira: (risos) Não, não tenho porque este não é o meu local de escrita. Normalmente quando escrevo, e desde que me lembro todos os textos que escrevo ou escrevi foram em casa, quase todos escritos à noite, sozinho obviamente…

NEDN: Tendo a lua como companheira todas as noites de certeza?

João Ferreira: sim, eu costumo dizer que a noite e a lua é muito inspiradora… não sei o porque. Tenho um ou dois poemas que falam da lua.


NEDN: Aos ouvintes, o João esta noite estava cheio de medo das nossas perguntas, e trouxe companhia (mãe e namorada). Certamente que são inspiradoras de muitos poemas?

João Ferreira: (risos) Sim são, não só elas mas também os meus ouvintes, os meus amigos, as pessoas de quem gosto, a própria vida em si, aquilo que vejo habitualmente (na rua). Aliás tenho um poema que poderão visitar no meu site que é “Uma velhinha perdida”, um dia ia na rua ali perto do hospital passei de carro e vi uma idosa meio perdida e aquilo foi algo inspirador para eu escrever algumas seis ou sete estrofes como poderão ler…

NEDN: Isso faz lembras-nos uma história que o escritor José Luís Peixoto contou na última vez que esteve em Évora que era: Olhar para casa e estava uma porta entreaberta e em cima de uma mesa estava um jarro de água e depois um napron por cima, aqueles jarros à antiga…

João Ferreira: Aqueles que as nossas avós utilizavam para não estragar a água…


Entretanto a nossa ouvinte assídua, entrou em contacto connosco, Luísa Zacarias, e como tem sido hábito leu-nos mais um poema “Vestido de azul”. Divulgamos que a Luísa Zacarias, registou-se no site Luso Poemas e todos os ouvintes que pretenderem podem ler os seus poemas através deste grande site e claro também no nosso blog (os lidos em directo) …


NEDN: João tortura parte II… Hoje deves teres achado um pouco estranho teres chegado aqui e sentares-te no lado de lá?

João Ferreira: Pois normalmente não costumo estar neste lado da mesa, só quando venho ter com um colega… mas para ser entrevistado não é hábito …

NEDN: Tu escreves poesia, e como a Luísa disse tu também cantas, e alguns dos teus poemas não estão a ser cantadas por ti… e cantar, não nos queres elucidar uma?

João Ferreira: Não vou cantar. Talvez um dia vos possa de alguma forma surpreender, mas não quero falar em mais nada. Mas já que falam nisso aproveito para vos dizer, caso não saibam, que há pelo menos quatro ou cinco poemas meus que foram gravados por artistas daqui de Évora, nomeadamente João Machorrinho, que agora lançou um cd, e duo musical Susy e Sérgio já têm uma gravada e estão a preparar-se para gravar mais …

NEDN: Mas tens aí um poema que nos vais ler, certo?

João Ferreira: É-me difícil escolher um poema, por todos eles têm algo de especial como devem compreender. Significam uma parte da vida, apesar de alguns deles não têm nada a ver comigo, posso dizer que a maioria tem, mas um especial que poderei aqui trazer foi dos primeiros que eu escrevi e esse é em quadra, que é um tema que passa muito na rádio “Com amor no coração” que toda a gente conhece, achei que não valeria trazê-lo mas é um tema muito especial derivado ao sucesso que também tem feito. Mas queria presentear-vos com um poema que escrevi a dois dias, fala em pensamentos das pessoas que elas no dia-a-dia têm, nos medos, nas incertezas… o poema chama-se “Pensamentos desertos”.


NEDN: Um poema fantástico e o que interessa é que venham do fundo do coração e do lado mais intimista da mente de uma pessoa…

João Ferreira: E por vezes não é fácil trazer deitar cá para fora, mas há muita gente que guarda tudo só para si. Eu acho que aqueles que são denominados poetas não o fazem, pelo menos há sempre qualquer coisa que deitam cá para fora deles próprios, pelo menos é a minha opinião.

NEDN: João, há bocado falávamos que começaste a escrever mais no ciclo, normalmente é mais na fase da juventude, quinze, dezasseis anos …

João Ferreira: Sim é verdade. Eu tenho por hábito comparar a poesia com a rádio, se nós não nascermos com o tal “bichinho”, um pouco mais tarde é mais difícil, não é que é não nasça mais tarde o “bichinho” da rádio pode nascer com quarenta ou cinquenta anos. Mas se iniciar de muito novo iniciar, tudo é mais fácil e vai desenvolvendo aquilo que faz.

NEDN: Qual foi o último livro que leste?

João Ferreira: Eu não tenho hábito de ler. Eu escrevo mais que leio, essa é a grande verdade. Eu prefiro escrever que ler e confesso que há muito tempo que não leio um livro…

NEDN: Nem o Diário do Sul?

João Ferreira: O Diário do Sul leio, esse sou mesmo obrigado a ler porque senão sou despedido… (risos) … estou a brincar.


Entrou em contacto a ouvinte Graça que nos leu um poema “O que o Homem quer e que Deus determina” dedicado ao João Ferreira… Em conversa com João Ferreira confessou-nos que já se registou no site Luso Poemas mas ainda não tem nada publicado.


NEDN: Nesta mesa existem n botões achas que eles podem regular interiormente a tua vontade escrever, não na rádio como frisaste, mas achas que é um botão ou botões que precisas para te ajustar o “volume” para que te saia para o papel?

João Ferreira: Sim, sim, aliás eu quando falo com os ouvintes, oiço o que eles nos têm para nos dizer e posso confessar-vos que há muitas coisas que quando saiu daqui da estação que me vou lembrando ao longo do dia, principalmente pessoas que me ouvem e que não estão tão bem quanto eu desejava porque a rádio sempre foi uma companhia para as pessoas, a rádio por vezes é a única companheira no dia-a-dia e há muita gente que me telefona que está só e que faz questão que eu seja o seu companheiro no dia-a-dia.


NEDN: Então és tu também a regular os “botões” dos teus ouvintes?

João Ferreira: Sim, sim. Eu tenho um poema que diz «que penso por mim e por vós» é um poema que se chama “Sou um pensador”, ou seja, estamos a voltar ao mesmo assunto que não sou poeta… (risos) … e por vezes também penso nos problemas das outras pessoas, preocupo-me com quem não está a 100% e é isso que tento fazer nas minhas emissões diariamente é de dar um pouquinho de alegria para quem está um pouquinho mais em baixo, quem está doente… Se calhar de manhã é quando solto aquelas gargalhadas que os ouvintes por vezes falam é um pouco de mim que dou aos ouvintes e é pena não poder dar mais, é aquilo que eu digo e do pouco tempo que estou no ar com eles tento fazer o meu melhor e que possa alegrar o dia. Nem sempre os dias nos sorriam, mas eu aqui na rádio, falo por mim, tento alegrar o dia-a-dia de cada um dos ouvintes que nos escuta. Eu costumo dizer que tento dar um pouco mais ao ouvinte, estando através do microfone, como também através do meu site que já agora aproveito para divulgar www.joaoferreira.info é um site que poderão visitar e lá poderão, exclusivamente, ler os meus poemas.


Seguiu-me mais chamada telefónica, desta vez, vinda do outro lado do mundo, Macau, do nosso amigo António Cambeta. Que felicitou o nosso programa e claro o seu grande amigo de longa data João Ferreira. Este amigo é um ouvinte assíduo via internet.

Depois lançamos um desafio ao João Ferreira, lemos um poema e pedimos que adivinhasse quem o tinha escrito, ele foi lido de baixo para cima e mesmo assim acertou logo à primeira foi o poema “Com amor no coração”.

Para finalizar o nosso programa entrou mais uma ouvinte em contacto a Ludovina Gonçalves, uma das ouvintes de João Ferreira e que bastante elogios deu ao nosso convidado. Tal como ele, em parte, já o tinha afirmado a ouvinte disse que se não fosse ele já não estaria presente entre nós e que a ajudou bastante em momentos menos bons.

Finalizamos o nosso programa já perto da 01h00 e com mais uma música a recordar a nossa juventude, a nosso adolescência Texas com o tema “Say what you want”.

Até para a semana…




Um bem-haja a todos sem excepção,
Pedro Nobre & Rute Antunes


 

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